Rentabilidade projetada da renda fixa para 2026
Os investidores brasileiros devem continuar a aproveitar os produtos de renda fixa pós-fixada, mesmo com a expectativa de queda da taxa Selic nos próximos meses. Essa previsão foi destacada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em sua recente reunião. Segundo analistas, o nível atual de juros ainda é elevado e deve se manter atrativo ao longo do ano.
João Arthur, diretor de investimentos de uma consultoria, afirma que a Selic deve terminar 2026 em torno de 12,25%. Em um cenário mais otimista, onde a taxa possa cair para cerca de 10,9% ao ano, o juro real ainda se mostra relevante diante da expectativa de inflação entre 3% e 4%. Isso significa que a Selic ainda não está em um nível considerado neutro, o que torna os investimentos em renda fixa atraentes.
Arthur sugere que os investidores ajustem seus portfólios gradualmente à medida que a Selic diminui. A recomendação é reduzir a exposição a títulos pós-fixados e aumentar a participação em títulos indexados à inflação. Para aqueles que estão dispostos a assumir mais riscos, ele sugere considerar títulos com prazos de vencimento mais longos.
Rafael Pastorello, gestor de portfólio de um banco, concorda com essa abordagem. Ele observa que a migração para títulos prefixados ou atrelados ao IPCA tende a ser mais relevante quando o ciclo de alta dos juros se aproxima do fim. Por exemplo, um título do Tesouro Direto IPCA+ com vencimento em 2029 estava oferecendo um juro prefixado de 7,71%, enquanto outro com vencimento em 2040 pagava IPCA + 7,26%. É importante notar que quanto mais longo o prazo do título, maior o risco envolvido, pois esses investimentos podem ser mais voláteis, resultando em maiores oscilações de preço e possíveis perdas em caso de resgates antecipados. Arthur recomenda focar em títulos com vencimentos intermediários, entre 2030 e 2035, mas admite que investidores mais arrojados podem avaliar títulos com vencimentos em 2045 ou 2050.
Os analistas também destacam a importância dos produtos isentos de Imposto de Renda, como as letras de crédito imobiliário (LCI) e do agronegócio (LCA), que costumam oferecer rendimentos próximos a 90% do CDI. Um levantamento indica que esses produtos podem resultar em uma rentabilidade líquida anual de cerca de 8%, enquanto um produto a 100% do CDI, que está sujeito ao Imposto de Renda, oferece uma rentabilidade líquida real menor, de 6,93%. Pastorello observa que atualmente não é fácil encontrar papéis com remuneração fixa próxima aos 15%, uma vez que o mercado já precifica o início de cortes na taxa de juros.
João Arthur adverte cautela em relação à renda fixa privada, ressaltando que a relação entre risco e retorno não é atrativa neste momento. A recomendação é evitar uma exposição excessiva a esse tipo de ativo e ser seletivo, priorizando a qualidade de crédito e evitando riscos desnecessários.
Para os investidores mais arrojados, Pastorello sugere considerar a renda variável. Com a redução do custo de capital, as avaliações das empresas podem se tornar mais atraentes, o que pode favorecer a valorização do mercado acionário brasileiro, embora o ambiente continue sujeito à volatilidade típica de anos eleitorais.
Marcelo Freller, estrategista de investimentos de outro banco, destaca que a escolha dos investimentos deve depender do perfil do cliente. Para investidores moderados e agressivos, ele tem uma visão otimista em relação às taxas indexadas ao IPCA+. Já para os mais conservadores, que preferem manter seus investimentos próximos ao CDI, a recomendação continua sendo os títulos pós-fixados, que estão oferecendo boas remunerações atualmente.