Perda do BRB com Master pode atingir R$ 5 bilhões

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, prestou depoimento à Polícia Federal no final de dezembro, onde abordou a situação financeira do Banco Regional de Brasília (BRB) em relação às perdas que o banco sofreu com o Banco Master. Segundo Aquino, a reserva de recursos necessária para cobrir essas perdas pode chegar a cerca de R$ 5 bilhões. Até o momento, já foram identificados R$ 2,6 bilhões, e o Banco Central já fez a solicitação para que o BRB reserve esse montante.

No depoimento, Aquino explicou que o valor total a ser provisionado pode ser ainda maior devido à “baixa qualidade” dos ativos que o Banco Master entregou ao BRB. Ele mencionou que, por conta dessa situação, é necessário considerar uma provisão adicional de R$ 2,2 bilhões. O problema surgiu durante a investigação da Polícia Federal sobre a venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito que supostamente foram fraudadas pelo Banco Master para o BRB.

O ano passado foi marcado por uma recuperação parcial dos valores, com cerca de R$ 10 bilhões já devolvidos ao BRB. Entretanto, os ativos que foram repassados pelo Banco Master em troca dos créditos fraudados são compostos por fundos que incluem ações de empresas que perderam valor, dívidas inadimplentes e imóveis de baixa liquidez pertencentes à família de Daniel Vorcaro, um dos envolvidos no caso. O Banco Central ainda está analisando a qualidade desses ativos e, paralelamente, o BRB também realiza uma avaliação interna.

Para ajudar nessa análise, o BRB contratou o escritório de advocacia Machado Meyer e a consultoria Kroll. Em comunicado, o banco afirmou que qualquer estimativa sobre a necessidade de capital levará em conta todos os impactos identificados nas avaliações dos ativos e fundos recebidos do Banco Master. Além disso, já existe um plano de capitalização em desenvolvimento para cobrir um possível déficit, que será submetido ao órgão regulador assim que as análises forem concluídas. Caso seja necessário, o governo do Distrito Federal, que controla o BRB, deverá fazer um aporte de capital.

O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que foi afastado após o início das investigações, declarou que acredita que as operações foram corretamente avaliadas. As investigações do Ministério Público Federal, que começaram a partir de uma denúncia do Banco Central, revelaram que o Banco Master comprou carteiras de crédito da consultoria Tirreno sem efetuar pagamento e, em seguida, vendeu esses papéis ao BRB.

No depoimento à Polícia Federal, Ailton de Aquino destacou que a instituição estava ciente, desde março, dos problemas relacionados aos créditos repassados pelo Banco Master. Ele fez um questionamento ao BRB sobre a situação, e a partir desse momento, o banco começou a informar o Banco Central sobre o andamento da substituição dos ativos. Em julho de 2025, o BRB comunicou que estava internalizando novos ativos, incluindo diversos tipos de títulos e ações, em resposta às carteiras adquiridas do Banco Master, consideradas como inexistentes.

Aquino também afirmou que não sofreu pressão de nenhum tipo por parte de autoridades sobre a situação. O Banco Central decidiu, em setembro de 2025, não permitir a compra do Banco Master pelo BRB, e a liquidação do Banco Master foi anunciada em 18 de novembro do mesmo ano. O depoimento de Aquino à Polícia Federal ocorreu em dezembro de 2025. Inicialmente, havia uma determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, para que fosse realizada uma acareação entre Daniel Vorcaro, Ailton de Aquino e Paulo Henrique Costa, mas essa medida foi revista devido a pressões contrárias.

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