Analistas projetam leve redução da Selic em janeiro de 2026
O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a Selic, a taxa básica de juros, em 15% ao ano. No entanto, em um comunicado, o comitê indicou que pode iniciar uma redução da taxa em sua próxima reunião, marcada para os dias 17 e 18 de março. Essa informação chamou a atenção de analistas de mercado.
Adriana Dupita, analista da Bloomberg, destacou que, embora a manutenção da taxa já fosse esperada, o tom do comunicado foi significativo. Segundo ela, o compromisso do Copom em começar a cortar os juros em março é uma sinalização positiva, pois ajuda o mercado a entender que a política monetária pode começar a ser relaxada.
José Marcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, também comentou sobre o comunicado. Ele observou que a retirada da diretriz que exigia uma política monetária rigorosa por um período prolongado foi uma mudança importante. Para ele, isso indica que o comitê está se preparando para futuras reduções.
Juliana Inhasz, professora do Insper, concordou que o comunicado foi mais suave do que se esperava, mas ainda assim indicou que o Banco Central está atento às condições do mercado. Ela acredita que um pequeno corte na Selic deve ocorrer em março, seguido de uma análise cuidadosa do mercado para entender as reações.
Quanto ao tamanho do corte, os especialistas estão divididos. A maioria acredita que a primeira redução será de 0,25 ponto percentual, mas Dupita sugere que uma queda maior, de 0,5 ponto, pode ser necessária, especialmente se as expectativas de inflação continuarem a cair. Ela também mencionou que a cotação do dólar, que fechou em R$ 5,207 e alcançou seu menor valor em quase dois anos, pode influenciar as decisões futuras.
André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, acredita que o Banco Central deve agir com cautela e observar o cenário econômico antes de tomar decisões mais drásticas. Ele apontou que alguns fatores podem ajudar a controlar a inflação nas próximas semanas, como uma possível queda de até 2% no preço da gasolina, o que poderia resultar em uma redução de 0,1 ponto percentual no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). No entanto, ele também alertou que o aumento das mensalidades escolares pode pressionar os preços para cima.
Ailton Braga, assessor legislativo do Senado e ex-analista do Banco Central, ressaltou a desaceleração da atividade econômica. Ele mencionou que os dados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central indicam que o auge da atividade ocorreu no início do ano passado. Além disso, ao analisar a inflação dos últimos três meses, ele notou que o aumento dos preços está mais alinhado com o centro da meta, que é de 3%.