EUA registra maior alta no déficit comercial em 34 anos

Em novembro, os Estados Unidos registraram um aumento significativo em seu déficit comercial, o maior em quase 34 anos. O déficit saltou 94,6%, alcançando US$ 56,8 bilhões (equivalente a R$ 295,5 bilhões). Essa variação é a mais alta desde março de 1992, segundo dados divulgados na quinta-feira. Economistas esperavam um déficit de US$ 40,5 bilhões (cerca de R$ 210,7 bilhões), mas a realidade superou as expectativas, o que pode levar a uma revisão para baixo nas previsões de crescimento econômico para o quarto trimestre do ano.

Esse aumento no déficit comercial foi impulsionado principalmente por um crescimento nas importações de bens de capital, que são produtos utilizados para a produção de outros bens e serviços. A demanda por esses itens tem sido forte, possivelmente devido a um aumento nos investimentos em inteligência artificial (IA). As importações totais subiram 5%, totalizando US$ 348,9 bilhões (aproximadamente R$ 1,8 trilhões).

Especificamente, as importações de bens aumentaram 6,6%, somando US$ 272,5 bilhões. Os bens de capital, em particular, atingiram um recorde histórico, com um aumento de US$ 7,4 bilhões (cerca de R$ 38,5 bilhões). Essa alta foi impulsionada pela demanda por computadores e semicondutores, embora as importações de acessórios para computadores tenham caído em US$ 3 bilhões (R$ 15,6 bilhões). Além disso, as importações de bens de consumo cresceram em US$ 9,2 bilhões (R$ 472,8 bilhões), principalmente devido a produtos farmacêuticos, que apresentaram variações significativas, possivelmente relacionadas a tarifas impostas pelos Estados Unidos. Por outro lado, as importações de suprimentos industriais caíram em US$ 2,4 bilhões (R$ 12,4 bilhões).

As exportações, por sua vez, apresentaram uma queda de 3,6%, totalizando US$ 292,1 bilhões (R$ 1,5 trilhões) em novembro. As exportações de bens caíram 5,6%, para US$ 185,6 bilhões (R$ 965,7 bilhões), com uma diminuição de US$ 6,1 bilhões nas exportações de suprimentos e materiais industriais, refletindo uma redução nas vendas de ouro não monetário, outros metais preciosos e petróleo bruto. As exportações de bens de consumo também caíram, com uma diminuição de US$ 3,1 bilhões (R$ 16,1 bilhões), impactadas por uma queda nas remessas de produtos farmacêuticos.

O déficit comercial de bens aumentou 47,3%, atingindo US$ 86,9 bilhões (R$ 452,1 bilhões). Embora as exportações de serviços tenham alcançado níveis recordes, as importações nessa categoria registraram uma queda. Essa deterioração no déficit comercial pode levar os economistas a ajustarem suas expectativas sobre o impacto do comércio no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no quarto trimestre, especialmente após o comércio ter contribuído positivamente para o PIB nos dois trimestres anteriores.

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