O que é o mercado de carbono e como ele funciona?

A demanda por créditos de carbono no Brasil está prevista para aumentar significativamente nos próximos anos, especialmente com a implementação do mercado regulado de carbono que começará a operar em 2030. Nesse novo sistema, empresas que emitem gases de efeito estufa terão a obrigação de reduzir suas emissões. Além disso, governos estaduais estão desenvolvendo suas próprias emissões de créditos, buscando benefícios financeiros.

Mas o que são créditos de carbono e como funciona esse mercado? Um crédito de carbono representa a redução ou a absorção de uma tonelada de carbono da atmosfera. Para se ter uma ideia, isso é aproximadamente o equivalente ao carbono emitido por um voo de avião entre São Paulo e Rio de Janeiro. Quando se trata de outros gases de efeito estufa, como o metano, é feito um cálculo para converter a redução desses gases em toneladas de carbono.

Os créditos de carbono foram oficialmente introduzidos em 1997, com a assinatura do Protocolo de Kyoto, que estabeleceu metas internacionais para a redução das emissões de gases. A ideia era permitir que países e empresas compensassem suas emissões através de projetos ambientais. O assunto foi aprofundado em 2015, com o Acordo de Paris, mas já no início dos anos 2000, o comércio de créditos havia começado.

No Brasil, a principal forma de gerar créditos de carbono é por meio da proteção de áreas ameaçadas pelo desmatamento. Nesse modelo, empresas especializadas calculam quantas toneladas de carbono foram evitadas devido à preservação dessas áreas. Outra forma crescente é a restauração florestal, onde empresas plantam árvores em áreas degradadas e, após um tempo, contabilizam quanto carbono foi absorvido. Projetos que envolvem a plantação de grãos que também absorvem carbono, como a soja, também estão em ascensão. Historicamente, os créditos mais comercializados têm origem em empreendimentos de energia limpa, como solar e eólica, que evitam a emissão de carbono gerado por fontes fósseis.

Existem dois tipos principais de mercado de carbono: o regulado e o voluntário. No mercado regulado, o governo estabelece limites de emissão para empresas poluidoras, que devem se adaptar para cumprir essas regras. Se não o fizerem, precisam comprar créditos de carbono. Este mercado foi criado no Brasil em 2024, mas começará a funcionar efetivamente em 2030. Já no mercado voluntário, as empresas compram créditos por iniciativa própria para compensar suas emissões e atender a metas climáticas autoimpostas. Esse mercado existe no Brasil há cerca de 15 anos e ganhou força nos últimos seis.

A legislação brasileira que institui o mercado regulado permite que as empresas comprem créditos para compensar parte de suas emissões. O Ministério da Fazenda será responsável por definir a porcentagem que pode ser compensada, com discussões atuais apontando para um limite entre 10% e 25%. A definição deve ocorrer até 2026.

Os preços dos créditos de carbono variam e as negociações não são sempre públicas. Estimativas indicam que, em abril de 2025, créditos de restauração eram vendidos por cerca de US$ 15,5, enquanto os de conservação estavam em torno de US$ 5,3 e os de energia limpa custavam US$ 1. Em contratos de longo prazo, que são comuns entre grandes empresas de tecnologia, os valores podem ser muito mais altos. Por exemplo, alguns créditos de restauração no Brasil podem ultrapassar US$ 30, enquanto créditos de compostagem podem passar dos US$ 100.

Em termos de mercado, globalmente, entre 2021 e 2022, foram gerados cerca de 350 milhões de créditos de carbono anualmente. Essa geração caiu para 300 milhões nos anos seguintes, devido a fraudes descobertas no setor. No Brasil, as empresas são responsáveis por gerar entre 10% e 15% dos créditos disponíveis no mundo. O mercado global movimentou US$ 2 bilhões entre 2021 e 2022, mas esse valor caiu para US$ 500 milhões em 2024. Para 2025, analistas estimam que o mercado possa ter movimentado US$ 1,5 bilhão, sem incluir contratos de longo prazo, que representam uma parte significativa do mercado.

Embora o tamanho exato do mercado de carbono no Brasil ainda seja incerto, uma consultoria especializada estima que entre 2011 e 2025, o país emitiu cerca de 88,5 milhões de créditos de carbono de base florestal, o que, com os valores atuais, representaria aproximadamente US$ 588 milhões movimentados.

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