Escolas cívico-militares em SP iniciam atividades sem uniforme

As escolas cívico-militares do governo de São Paulo, liderado por Tarcísio de Freitas, vão começar a operar a partir desta segunda-feira, 2 de janeiro, após um atraso de um ano. No entanto, os alunos não receberão os uniformes, cuja compra ainda não foi finalizada. De acordo com a Secretaria de Educação, sob a direção de Renato Feder, o processo para adquirir os uniformes ainda está em andamento.

O programa de escolas cívico-militares, uma promessa do governador para atrair apoio da base bolsonarista, deveria ter iniciado no ano letivo de 2025, mas enfrentou obstáculos legais que atrasaram sua implementação. Nesta fase inicial, cem escolas irão participar do programa, atendendo cerca de 53 mil alunos, o que representa aproximadamente 1,5% do total de estudantes matriculados na rede estadual paulista.

Diante da falta de uniformes, algumas instituições já enviaram orientações aos pais sobre como os alunos devem se vestir. Por exemplo, na escola estadual Professor Gastão Ramo, em Osasco, foi comunicado que os alunos devem usar calças pretas feitas de moletom, sarja, tactel ou helanca, além de camisetas cinzas. A compra dos uniformes, estimada em R$ 57,6 milhões, previa a entrega de 1,2 milhão de peças, incluindo camisetas, calças, casacos e bermudas nas cores azul e branco. A licitação para esses itens foi aberta em abril do ano passado, mas, segundo a Secretaria de Educação, problemas técnicos atrasaram a conclusão do processo.

Além disso, o regimento das escolas que fazem parte do programa estabelece regras rigorosas para os estudantes. As alunas devem prender o cabelo, enquanto os alunos devem manter cortes curtos. O uso de bonés, piercings e roupas curtas é proibido.

A implementação das escolas cívico-militares trará um custo adicional de R$ 17 milhões por ano, destinados ao pagamento de policiais militares aposentados contratados para atuar nas unidades. Esses profissionais receberão uma diária de R$ 301,70, o que pode resultar em um salário mensal de cerca de R$ 6.000, caso trabalhem 40 horas por semana. A maioria dos militares selecionados para o programa são praças, ou seja, de menor patente, e não precisam ter formação superior. O valor que esses policiais receberão de complemento é 8% superior ao piso salarial dos professores da rede estadual, que é de R$ 5.565 e exige formação adequada para a atuação em sala de aula.

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