Apenas 30% dos jovens apresentam bom desempenho em matemática
Entre 2019 e 2023, o Brasil registrou uma queda no percentual de jovens que terminam o ensino médio até os 18 anos com um aprendizado adequado em matemática. De acordo com dados do Índice de Inclusão Educacional (IEE), este indicador passou de 25,5% para 21,4%, o que representa uma diminuição de 4,1 pontos percentuais. Isso significa que, atualmente, apenas dois em cada dez estudantes formados possuem o conhecimento esperado na disciplina.
O IEE foi criado pela organização Metas Sociais a pedido do Instituto Natura e tem como objetivo medir a proporção de jovens que concluem a educação básica na idade correta e com um desempenho considerado adequado nas avaliações de proficiência. Para isso, são utilizadas informações de diferentes fontes, como o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), o Censo Escolar e a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD).
Para o Saeb, um aprendizado adequado em matemática é definido como uma pontuação de pelo menos 300 pontos em uma escala que vai até 500. Estudantes que ficam abaixo desse nível enfrentam dificuldades em resolver problemas simples, como calcular porcentagens ou interpretar gráficos.
No cenário pós-pandemia, nenhum estado brasileiro conseguiu que pelo menos 30% dos jovens alcançassem esse patamar de aprendizado. A queda no desempenho foi observada em todas as regiões do país, mesmo nas que apresentavam os melhores resultados antes da pandemia. Por exemplo, São Paulo, que liderava o ranking em 2019 com 35,2% de alunos com aprendizado adequado, caiu para 24,7% em 2023, uma redução de 10,5 pontos percentuais. Goiás também sofreu uma queda significativa, passando de 34,2% para 27,0%. Outros estados, como Paraná (de 33,6% para 28,1%), Distrito Federal (de 33,4% para 22,5%) e Espírito Santo (de 32,8% para 27,7%), apresentaram resultados semelhantes.
No Sul e Sudeste, os percentuais em 2023 também ficaram abaixo de 30%. Santa Catarina caiu de 26,4% para 24,2%, o Rio Grande do Sul de 25,5% para 23,0%, e o Rio de Janeiro de 23,6% para 17,1%. Alguns estados mostraram variações menores, mas ainda assim em níveis baixos. A Paraíba, por exemplo, passou de 21,5% para 16,0%, enquanto o Piauí foi de 20,9% para 18,1%. As menores taxas foram observadas em estados do Norte e Nordeste. Em 2023, o Amapá teve apenas 8,2%, o Pará 10%, o Amazonas 10,2%, o Maranhão 10,4% e a Bahia, uma das maiores redes de ensino do país, ficou com 11,5%.
David Saad, diretor-presidente do Instituto Natura e um dos criadores do IEE, destacou que a pandemia impactou fortemente essa geração, mas indicou que há um problema estrutural mais profundo no ensino de matemática no Brasil. Ele enfatizou que o país tem avançado em áreas como a alfabetização, mas ainda carece de políticas públicas específicas para melhorar o ensino de matemática.
Por outro lado, os indicadores de língua portuguesa no IEE mostraram um desempenho melhor e menos afetado pela pandemia. A média nacional de jovens formados com conhecimento adequado em língua portuguesa subiu de 27,2% para 27,9% entre 2019 e 2023, impulsionada por estados como Espírito Santo, Ceará e Paraná, que viu seu percentual aumentar de 34,5% para 35,7%. Entretanto, alguns estados, como São Paulo e Minas Gerais, também enfrentaram quedas nesse indicador.