Estrelas pornô podem se adaptar à era da inteligência artificial
A Expo AVN, uma das principais conferências da indústria de entretenimento adulto, acontece anualmente em Las Vegas e reúne profissionais do setor desde 1984. Este evento atrai milhares de participantes que, ao chegarem, recebem crachás e se acomodam em um hotel iluminado, mas o ambiente é bastante diferente de outras convenções. Em vez de um código de vestimenta formal, as orientações se concentram em quais partes do corpo devem estar cobertas.
Durante a conferência, os temas discutidos vão desde inteligência artificial (IA) até práticas como BDSM, que são parte da diversidade presente na indústria. A noite de encerramento é marcada por uma cerimônia de premiação, muitas vezes comparada ao Oscar, celebrando os destaques do setor.
A indústria de entretenimento adulto é avaliada em cerca de US$ 100 bilhões e tem enfrentado importantes mudanças tecnológicas ao longo dos anos. A chegada da internet, seguida por plataformas como Pornhub e OnlyFans, mudou radicalmente a forma como o conteúdo é consumido e produzido, levando a uma diminuição na produção de filmes de grandes estúdios. Essa transformação gerou preocupações entre os participantes, que notaram que a conferência tem menos estandes, estrelas e fãs do que em anos anteriores. Um dos veteranos, Tommy Gunn, comentou que o evento reflete “o incrível encolhimento” da indústria.
Este ano, a presença da inteligência artificial trouxe novas discussões sobre o futuro do setor, especialmente após uma polêmica envolvendo um chatbot que foi usado para gerar imagens de pessoas sem seu consentimento. Durante a Expo AVN, que ocorreu de 21 a 24 de janeiro no Virgin Hotels, o foco foi menos nas festas e mais nas inovações tecnológicas. A feira contou com estandes onde startups apresentaram produtos como bonecas sexuais com tecnologia avançada e softwares que permitem a criação de réplicas digitais de performers, que podem produzir conteúdo explícito.
As conversas na conferência abordaram a preocupação de muitos atores sobre a possibilidade de a IA substituir seus empregos. Alguns começaram a registrar seus nomes artísticos e a renegociar contratos para proteger seus direitos, evitando que suas imagens sejam usadas sem autorização para treinar modelos de IA. No entanto, há quem veja a tecnologia como uma aliada. Muitos performers estão utilizando a IA para editar vídeos e interagir com seus fãs. A performer Cherie DeVille, por exemplo, expressou interesse em criar um clone digital, caso as condições sejam favoráveis.
A questão da atratividade das mulheres geradas por IA também foi levantada, com algumas estrelas expressando preocupações sobre a concorrência. Casey Calvert, uma conhecida performer, destacou que as “garotas de IA” estão sempre disponíveis e prontas para interagir, o que pode dificultar a competição com humanos. A pressão para responder rapidamente às mensagens e atender às demandas dos fãs aumentou, e Roxy Renee, criadora de conteúdo adulto, relatou que um seguidor chegou a pedir uma foto dela segurando três dedos e uma colher, apenas para provar que era humana.
Para se destacar em meio a esse cenário, algumas estrelas têm apostado na interação pessoal. Jennifer White, que ganhou o prêmio de Performer Feminina do Ano, passou boa parte do evento tirando selfies com fãs e, em uma das noites, foi a um famoso clube de strip, onde foi muito bem recebida pelo público. Nesse novo contexto em que a IA está se tornando cada vez mais presente, as interações pessoais e a presença física podem se tornar ainda mais valiosas para os profissionais da indústria.