Estrangeiros investem mais na Bolsa em janeiro do que em 2025

O investimento estrangeiro na Bolsa brasileira teve um início de 2026 muito expressivo, superando o total do ano anterior em apenas 21 pregões. De acordo com dados de uma consultoria, o saldo de investimentos em janeiro chegou a R$ 26,31 bilhões, excluindo operações como ofertas públicas iniciais (IPOs) e follow-ons. No ano de 2025, o fluxo líquido totalizou R$ 25,47 bilhões.

Quando se incluem as operações de mercado primário, o total de entradas em janeiro sobe para R$ 26,47 bilhões. Esse valor é muito próximo do saldo acumulado até agora em 2026, que é de R$ 26,87 bilhões. Especialistas do setor, como Carlos Bedicks, que lidera a área de renda variável de uma importante corretora, destacam que esse aumento representa um início de ano atípico. Para ele, a forte entrada de novos investidores e a aceleração do fluxo de recursos mostram uma recuperação da confiança no mercado, o que pode criar um ambiente favorável para o crescimento contínuo.

Janeiro de 2026 também se destacou como o maior fluxo mensal de capital estrangeiro desde o início da série histórica que a consultoria acompanha, que começou em janeiro de 2022. O recorde anterior havia sido em fevereiro de 2022, com um saldo de R$ 24,31 bilhões, incluindo IPOs e follow-ons. Mesmo sem considerar essas operações, o resultado de janeiro de 2026, com uma entrada líquida de R$ 23,39 bilhões, é sem precedentes.

Embora janeiro seja geralmente um mês positivo para o fluxo de investimentos estrangeiros na Bolsa, o início de 2026 se diferenciou não apenas pela entrada positiva, mas também pela sua magnitude, que superou as expectativas. Historicamente, janeiro costuma ser promissor, mas, desde 2022, apenas janeiro de 2024 registrou uma saída líquida, de R$ 7,9 bilhões, devido a um cenário global de maior aversão ao risco e incertezas internas.

Bedicks explica que a alta no volume de negócios na B3, a bolsa de valores brasileira, foi impulsionada principalmente pela maior participação de investidores individuais, pela realocação de capital por investidores institucionais e pela entrada significativa de recursos internacionais. Esse movimento sugere um ambiente de maior confiança e um apetite por oportunidades de investimento.

Os dados também revelam um aumento considerável no volume negociado por investidores estrangeiros em janeiro, que somou R$ 421,4 bilhões, o maior valor mensal desde o início da série histórica em 2022. As vendas também foram altas, totalizando R$ 395,1 bilhões, o segundo maior volume mensal já registrado, apenas atrás do recorde de novembro de 2022, quando as vendas atingiram R$ 392,1 bilhões.

Esse comportamento indica que os investidores estrangeiros estão ativos no mercado, realizando ajustes frequentes em suas carteiras e trocando posições. A consultoria sugere que os últimos movimentos refletem uma combinação de fatores, como a percepção de que as ações brasileiras estão mais baratas em comparação a outros mercados, mudanças esperadas nas taxas de juros e a busca por diversificação geográfica por parte de grandes investidores globais.

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