Presidente do BRB se encontrará com deputados em breve
O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, planeja se reunir com deputados da Câmara Legislativa do Distrito Federal nos próximos dias. O objetivo desse encontro é esclarecer a situação atual do banco e discutir a necessidade de um aporte financeiro. Durante a reunião, Nelson deverá apresentar estimativas sobre o impacto que o envolvimento do BRB com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, teve nas finanças do banco, além de detalhar as medidas que estão sendo tomadas, incluindo uma investigação independente.
Esse encontro está sendo organizado em conjunto com o governo de Ibaneis Rocha, do MDB. Parte das soluções que poderão ser discutidas, como um empréstimo do BRB ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) com garantias do Distrito Federal, precisam da aprovação dos deputados.
A situação do BRB se agravou após a operação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, que resultou na liquidação do Banco Master, na prisão de Vorcaro e no afastamento do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Desde então, o banco tem evitado divulgar números específicos sobre seus problemas financeiros. Em um depoimento à Polícia Federal, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, indicou que o BRB pode enfrentar um rombo de pelo menos R$ 5 bilhões. O Banco Central já exigiu que o BRB faça uma reserva financeira de R$ 2,6 bilhões para cobrir possíveis perdas relacionadas à compra de carteiras fraudulentas de crédito do Banco Master, que somam R$ 12,2 bilhões.
O governador Ibaneis Rocha conta com o apoio da maioria dos deputados distritais, mas alguns integrantes da base governista preferem aguardar o desdobramento das investigações antes de tomar decisões. Os parlamentares também estão ansiosos por um encontro presencial com o governador, que deve ocorrer na próxima semana, onde ele deverá explicar suas intenções em relação à crise financeira do BRB.
A abertura do ano legislativo, ocorrida na terça-feira (3), foi marcada pela ausência do governador e pela realização de protestos por parte da oposição. A Polícia Federal anunciou a abertura de um inquérito para investigar possível gestão fraudulenta no BRB, o que intensificou as críticas. Ibaneis não compareceu à sessão de abertura e não enviou um representante, o que causou estranhamento entre os deputados. O secretário da Casa Civil, Gustavo Rocha, deveria ter lido a mensagem do governo, mas alegou um conflito de agenda.
Na mensagem enviada à Câmara Legislativa, Ibaneis mencionou o BRB de forma positiva, destacando seu compromisso com o desenvolvimento econômico e social do Distrito Federal. Ele também citou a reinauguração do Autódromo Internacional de Brasília e a implementação de programas sociais, como a distribuição de cartões para a compra de materiais escolares e gás de cozinha.
O presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz, que é parte da base de apoio do governador, justificou a ausência de Ibaneis afirmando que o momento é delicado e que a sessão deveria ser dedicada exclusivamente aos parlamentares, permitindo que eles se manifestassem livremente. Durante a sessão, a base de apoio de Ibaneis permaneceu em silêncio, enquanto a oposição criticou a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB.
O deputado distrital Max Maciel, do PSOL, questionou a falta de transparência, afirmando que mesmo pessoas sem conhecimento profundo sobre o sistema financeiro já percebiam que algo estava errado. O deputado Chico Vigilante, do PT, também levantou questões sobre como o rombo no BRB será pago e criticou a ausência de representantes do governo na sessão de abertura.
Os parlamentares reconhecem que encontrar uma solução para a crise do BRB não será fácil. A base de apoio do governador não parece concordar com medidas que envolvam a Caesb, a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal, que não possui ações na Bolsa de Valores. Além disso, a privatização da parte mais lucrativa da Companhia Energética de Brasília (CEB) em 2020, que se tornou a empresa Neonergia, deixou apenas a estatal de iluminação pública, CEB Ipes, como opção. Criar um fundo imobiliário com terrenos do Distrito Federal também é visto como uma alternativa demorada e inadequada para a urgência da situação.