Erros de grafia em escola cívico-militar de SP são relatados
Alunos de uma escola estadual em Caçapava, interior de São Paulo, vivenciaram uma situação inusitada no início do ano letivo, quando monitores do programa cívico-militar ministraram aulas de comandos militares. Durante essa atividade, que tinha como objetivo apresentar a ordem unida, foram observados erros de grafia no quadro, como “descançar” em vez de “descansar” e “continêcia” em vez de “continência”. Após a correção, que foi feita pelo próprio monitor durante a aula, surgiram questionamentos sobre a atuação desses profissionais nas escolas.
A Secretaria da Educação do estado esclareceu que essa situação foi pontual e ocorreu apenas no primeiro dia de implementação do programa, enfatizando que não faz parte da rotina deles ministrar atividades pedagógicas. Os monitores, que são policiais militares aposentados, têm como função apoiar a disciplina e promover valores cívicos, mas não devem entrar em sala de aula para interferir no conteúdo das aulas, que continua sob responsabilidade dos professores.
No total, 11 escolas estaduais da região do Vale do Paraíba adotaram o modelo cívico-militar, que começou a ser implementado nesta semana, abrangendo cerca de 100 escolas em todo o estado de São Paulo. Aproximadamente 208 policiais militares aposentados foram designados como monitores, atendendo cerca de 53 mil alunos, o que representa cerca de 1,5% das matrículas na rede estadual.
Vinicius Neiva, secretário executivo da Secretaria Estadual de Educação, afirmou que a quantidade de monitores por escola está sendo avaliada e será ajustada conforme a necessidade de cada unidade. Ele enfatizou que a proposta pedagógica da rede estadual não será alterada e que o modelo visa oferecer apoio à rotina escolar, além de uma disciplina no contraturno voltada para a cidadania.
O programa cívico-militar, que é uma promessa do governador Tarcísio de Freitas, deveria ter iniciado em 2025, mas foi adiado devido a decisões judiciais. A implementação do programa tem um custo estimado em R$ 17 milhões por ano, que será utilizado para o pagamento dos militares aposentados, que podem receber até R$ 6.000 mensais, somando a aposentadoria, caso cumpram a carga máxima de 40 horas semanais. O sindicato dos professores, Apeoesp, criticou a contratação de militares sem um debate prévio com a comunidade escolar e questionou a necessidade da presença deles nas escolas, afirmando que a promoção de disciplina e civismo deve ser feita pelos educadores por meio de sua formação pedagógica.