Vestibular: estratégias para enfrentar a frustração de não passar
A estudante Marina Motta, de 21 anos, sempre sonhou em ser arquiteta, mas enfrentou obstáculos ao tentar ingressar na Universidade de São Paulo (USP). Durante dois anos consecutivos, ela ficou a poucos pontos de conquistar uma vaga no curso de arquitetura, o que gerou um forte sentimento de frustração. “É angustiante ver todos os seus amigos na faculdade e você não estar lá”, relembra Marina.
Muitos estudantes vivem situações semelhantes após os resultados do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e de vestibulares importantes. No entanto, a trajetória de Marina, que finalmente foi aprovada na Fuvest no último dia 23, demonstra que é possível superar a tristeza e recomeçar. A psicóloga Manoela Ziebell, que atua como orientadora profissional, explica que aceitar a frustração é fundamental para lidar com a reprovação. “É importante viver esse momento, desde que não se prolongue demais. Depois, é preciso refletir sobre o que pode não ter saído como esperado”, orienta.
A dificuldade em lidar com a frustração pode prejudicar a capacidade de tomar decisões positivas. Por isso, é essencial permitir-se um tempo para processar a decepção antes de analisar o que aconteceu. Algumas questões a considerar incluem se houve falta de estudo, nervosismo ou até problemas básicos, como uma noite mal dormida.
Silmara Casadei, diretora de ensino e inovações educacionais, ressalta que a reprovação não deve ser associada à culpa, especialmente em um cenário onde há mais candidatos do que vagas disponíveis. “É um processo desafiador”, afirma. Ela sugere que, após lidar com a frustração, os estudantes busquem inspiração nos colegas que conseguiram passar, em vez de se compararem a eles. “Pergunte-se o que eles fizeram de diferente. Talvez eles tenham praticado mais redações ou participado de simulados. Esses são caminhos que podem levar ao sucesso”, sugere.
Para Marina, a maior fonte de inspiração foi sua irmã, que cursa medicina em uma universidade federal. “Ela passou na USP em veterinária, mas mesmo assim não desistiu de seu sonho. Isso me motivou a continuar tentando”, conta a estudante. Após superar a frustração, é hora de reavaliar e planejar novos estudos. Rodrigo Machado, coordenador do Curso Anglo, recomenda que os vestibulandos identifiquem a origem de seus erros. “É importante entender se o problema foi a gestão do tempo, distrações ou dificuldades em habilidades específicas, como interpretação de gráficos”, explica.
Além disso, é fundamental conhecer as particularidades de cada vestibular. Por exemplo, a Fuvest possui características diferentes da Unicamp e do Enem. Portanto, é aconselhável que os estudantes priorizem suas provas. “Um preparo direcionado pode aumentar as chances de sucesso”, afirma Machado.
É comum que os candidatos tentem ignorar a tristeza e voltem imediatamente aos estudos, mas essa estratégia pode ser contraproducente. Marina descobriu que respeitar seu próprio ritmo de aprendizado foi crucial. “No meu segundo ano de cursinho, eu ficava obcecada por estudar. Aprendi que é preciso incluir momentos de descanso, pois estudar demais pode levar à exaustão e à falta de foco”, reflete.
Ela também passou a adotar métodos de estudo que funcionavam melhor para ela, como resumos visuais e desenhos. O apoio da família é outro aspecto importante nesse processo. Silmara Casadei indica que a aprovação muitas vezes é um objetivo familiar, e a reflexão sobre os resultados deve ser feita em conjunto. É essencial que os pais reconheçam o esforço e a dedicação dos filhos ao longo do ano, em vez de focar apenas no resultado final. Esse suporte emocional ajuda os estudantes a se prepararem melhor para os próximos vestibulares.
A história de Marina mostra que cada tentativa traz aprendizado e preparação para o futuro. Sua aprovação na USP, na terceira tentativa, exemplifica que a nota de um exame não define o valor ou o potencial de uma pessoa.