Entrevista de Lula e balanços definem o mercado hoje

O Ibovespa, que é o principal índice da Bolsa de Valores brasileira, teve uma queda significativa nesta quarta-feira, 4 de outubro. O índice desvalorizou 2,14%, fechando aos 181 mil pontos. Essa foi a maior queda diária desde dezembro do ano passado. O recuo foi impulsionado por uma combinação de fatores, incluindo a realização de lucros por parte dos investidores, incertezas fiscais no Brasil e um cenário econômico externo mais desafiador.

Durante o pregão, o índice chegou a cair quase 3%. A recuperação parcial que ocorreu à tarde foi principalmente impulsionada pelas ações da Vale, que subiram 0,49%, ajudando a limitar perdas mais profundas. A Petrobras também teve um desempenho relativamente estável, com quedas de 0,57% nas ações ordinárias e de 0,16% nas ações preferenciais. No entanto, o setor financeiro foi um dos principais responsáveis pela pressão negativa sobre o índice. As units do Santander caíram 2,70% após a divulgação de seus resultados financeiros, que deram início à temporada de balanços do quarto trimestre entre os bancos. As ações do Itaú recuaram 3,29%, enquanto o Bradesco teve uma queda de 3,23%.

Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, comentou que os resultados do Santander provocaram uma correção mais ampla nas ações do setor financeiro, o que acabou impactando outros segmentos da Bolsa. Entre as ações que se destacaram em alta, a Braskem subiu 1,95%, e a Porto Seguro teve um aumento de 1,51%. Por outro lado, na ponta negativa, a Raízen despencou 13,27%, e a Totvs recuou 12,89%.

No mercado de câmbio, o dólar terminou o dia praticamente estável, com uma leve queda de 0,01%, cotado a R$ 5,25. Essa estabilidade da moeda ocorreu mesmo com a forte queda da Bolsa brasileira e as crescentes preocupações sobre a situação fiscal do país. Internacionalmente, as atenções dos investidores estão voltadas para as reuniões do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco da Inglaterra (BoE), que são esperadas para manter as taxas de juros inalteradas.

Na agenda de indicadores, o relatório sobre vagas de emprego nos Estados Unidos, conhecido como Jolts, será divulgado nesta quinta-feira. Já os dados sobre emprego e inflação ao consumidor nos EUA foram adiados e devem ser divulgados na próxima semana, devido a uma paralisação parcial do governo. No cenário geopolítico, há um clima de expectativa em relação a um encontro entre lideranças do Irã e dos Estados Unidos nesta sexta-feira, 6 de outubro, em Omã, para discutir o acordo nuclear, o que levou à queda dos preços do petróleo nesta manhã.

Nos mercados internacionais, as bolsas da Europa estão operando com cautela, aguardando as decisões dos bancos centrais. Na Ásia, os índices fecharam em queda após atingirem máximas históricas, com a volatilidade nas ações de tecnologia e preocupações sobre o impacto da inteligência artificial nos negócios. O índice KOSPI da Coreia do Sul caiu 3,86%, enquanto os índices na China e no Japão também recuaram.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concederá uma entrevista às 11h, em que deve abordar questões relacionadas a aumentos salariais aprovados pelo Legislativo. O governo já negou ter concordado com esses aumentos, que totalizam um impacto orçamentário estimado em R$ 5,3 bilhões para 2026. A maior parte desse valor está relacionada a reajustes de remuneração e reestruturação de carreira. O projeto de lei que prevê esses aumentos foi aprovado pela Câmara e agora segue para o Senado.

Além disso, o governo está avaliando um veto ao projeto que prevê aumentos para servidores do Legislativo, pois essas medidas podem ultrapassar os limites legais e pressionar as contas públicas. Apesar disso, há uma possibilidade de sanção presidencial, dada a necessidade de apoio político para aprovar outras pautas prioritárias do governo.

No Brasil, a balança comercial de janeiro deverá ser divulgada, com expectativa de um superávit de US$ 4,1 bilhões, um aumento em relação ao mesmo período do ano anterior. O comércio exterior deve começar o ano de forma robusta, com crescimento nas exportações, principalmente de commodities. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também se reunirá com representantes da indústria automotiva, um encontro que é aguardado de perto pelo mercado.

No âmbito corporativo, algumas empresas estão em destaque. O Itaú Unibanco teve um julgamento suspenso sobre uma autuação bilionária, e o Assaí anunciou a nomeação de um novo CFO. A JBS, por sua vez, adquiriu granjas para fortalecer sua operação na cadeia de produção de frango. A Hypera pode ver um aumento significativo em seu capital social, enquanto a BlackRock aumentou sua participação na Axia Energia.

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