CEO do Itaú alerta para custo social do caso Master
O caso do Banco Master, que entrou em colapso recentemente, terá um impacto significativo para toda a sociedade, especialmente no que diz respeito aos custos de empréstimos e investimentos. Essa é a avaliação do CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, que expressou suas preocupações durante a apresentação dos resultados financeiros do banco referentes a 2025.
Maluhy destacou que eventos dessa magnitude geram um aumento nos custos de captação de recursos e, consequentemente, podem afetar os juros e taxas cobrados pelas instituições financeiras. Ele afirmou que o custo estimado da quebra do Banco Master ultrapassa os R$ 50 bilhões, sendo R$ 46,9 bilhões apenas em ressarcimentos a clientes, que serão pagos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Desse total, R$ 40,6 bilhões correspondem ao Banco Master e aos outros bancos do conglomerado, enquanto R$ 6,3 bilhões são referentes ao Will Bank, cujos clientes ainda aguardam a devolução de seus recursos.
Para lidar com essa situação, as instituições financeiras precisarão antecipar suas contribuições ao FGC, com a possibilidade de um adiantamento de até cinco anos, totalizando cerca de R$ 30 bilhões. Maluhy questionou como atenuar o custo dessa medida para os bancos e, por consequência, para a sociedade. As instituições estão em negociações com o Banco Central para liberar parte dos depósitos compulsórios que mantêm no regulador.
O CEO do Itaú também enfatizou a importância de recapitalizar o FGC, de modo a garantir a confiança dos investidores e clientes no fundo. Ele ressaltou que a regulação precisa ser modificada para evitar que casos semelhantes ocorram no futuro. Segundo ele, os objetivos do FGC foram distorcidos ao longo do tempo, com algumas plataformas utilizando o fundo de maneira inadequada para alavancar seus negócios, o que resultou em modelos não sustentáveis.
Maluhy citou a necessidade de maior transparência e responsabilidade na oferta de produtos financeiros, afirmando que o Itaú nunca distribuiu títulos do Banco Master. Ele mencionou também a situação da Ambipar, que entrou em recuperação judicial com dívidas de R$ 10 bilhões e está sob investigação por suposta manipulação de ações, envolvendo conexões com o Banco Master e outros empresários.
O executivo apontou que as instituições que venderam títulos do conglomerado Master obtiveram lucros significativos, cerca de R$ 1 bilhão, devido às altas comissões oferecidas. Ele criticou o que considera um incentivo equivocado que priorizou os interesses das plataformas em detrimento dos clientes e do sistema financeiro como um todo.
Com essa situação, o Itaú Unibanco e outras instituições financeiras estão buscando soluções para minimizar os impactos da quebra do Banco Master e assegurar a estabilidade do sistema financeiro brasileiro.