Crise de Chips e suas Consequências nas Vendas de Celulares
No segundo trimestre de 2023, as vendas de celulares sofreram uma redução acentuada, resultado da crise global de chips, que se agravou com a crescente demanda por tecnologia de inteligência artificial. Segundo dados preliminares da Counterpoint Research, o volume de envios caiu 11%, atingindo o menor nível para esse intervalo desde 2013.
Causas da Queda nas Vendas
Um dos fatores principais que contribuíram para essa diminuição é o mercado de memórias. As fabricantes priorizaram suas produções para atender clientes de data centers voltados para IA, o que levou a uma diminuição na disponibilidade de chips para eletrônicos de consumo. Essa situação provocou um aumento dos preços dos componentes.
Com esses custos elevados, montadoras de celulares se viram obrigadas a repassar parte dos aumentos para os consumidores, afetando especialmente os setores de entrada e intermediário, que têm menos margem de manobra para absorver os custos adicionais.
Desempenho das Marcas Líderes
No cenário das marcas, a Samsung se destacou ao recuperar a liderança global com uma fatia de 24% do mercado, beneficiada pelas vendas da linha Galaxy S26 e por uma melhor disponibilidade de produtos, além de aumentos de preços mais contidos em regiões como a Índia e o Oriente Médio.
Por outro lado, a Apple viu suas remessas crescerem 3%, alcançando uma participação recorde de 20% do mercado, impulsionada pela forte demanda por seus modelos premium de iPhone, mantendo os preços estáveis mesmo com a possibilidade de aumentos futuros.
As marcas Xiaomi, Oppo e Vivo foram as mais afetadas, enfrentando as maiores quedas entre os cinco principais fabricantes, já que atuam majoritariamente nos segmentos de entrada e intermediário, que foram duramente impactados pelo aumento dos custos das memórias.
Projeções para o Setor
As perspectivas para o setor de celulares não se mostram otimistas a curto prazo. A Counterpoint prevê uma queda acumulada de cerca de 14% nas vendas globais de celulares ao longo de 2023, além de sinalizar que a escassez de memórias pode perdurar até 2027.
