Inflação de janeiro (IPCA-15) registra alta de 0,2%
Em janeiro, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15) subiu 0,2%. Esse aumento vem após uma alta de 0,25% registrada em dezembro de 2025, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa taxa de 0,2% é a segunda menor já registrada para o mês de janeiro desde a criação do Plano Real, superando apenas o resultado de janeiro de 2025, que foi de 0,11%.
No acumulado deste ano, o IPCA-15 também apresenta alta de 0,2%. Em relação aos últimos 12 meses, o índice acumula um aumento de 4,5%, ligeiramente superior aos 4,41% registrados nos 12 meses anteriores. O economista Maykon Douglas observa que a inflação está diminuindo, com um panorama mais favorável, especialmente considerando que a média dos núcleos de inflação aumentou 4,3% na comparação anual, retornando assim ao intervalo da meta estabelecida. Apesar disso, ele alerta que a inflação em setores que dependem intensivamente de mão de obra, como serviços, continua a crescer. Esse grupo registrou uma alta de 8% na média anualizada dos últimos três meses, o maior nível desde outubro de 2022, refletindo um mercado de trabalho ainda bastante competitivo. Douglas acredita que, com os dados apresentados, o Banco Central não deverá reduzir as taxas de juros na reunião programada para esta semana, mas sim em março.
Analisando os grupos de produtos e serviços que compõem o IPCA-15, dois deles apresentaram queda em janeiro: Habitação, que teve um recuo de 0,26%, e Transportes, que caiu 0,13%. Os demais grupos tiveram variações que variaram de 0,05% em Educação a 0,81% em Saúde e Cuidados Pessoais. Este último grupo registrou a maior alta do mês, com um aumento de 0,81%, impactando o índice em 0,11 ponto percentual. Essa alta foi impulsionada, principalmente, pelos itens de higiene pessoal, que subiram 1,38%, e pelos planos de saúde, que tiveram uma variação de 0,49%.
O grupo Comunicação também teve um crescimento de 0,73%, influenciado pelo aumento de 2,57% nos aparelhos telefônicos. Por outro lado, o grupo Alimentação e Bebidas, que possui o maior peso no índice, teve uma aceleração na passagem de dezembro para janeiro, passando de 0,13% para 0,31%. A alimentação dentro de casa subiu 0,21% em janeiro, interrompendo uma sequência de sete meses de quedas. Os aumentos mais significativos foram observados em produtos como tomate (16,28%), batata-inglesa (12,74%), frutas (1,65%) e carnes (1,32%). Em contrapartida, o leite longa vida teve uma queda de 7,93%, assim como o arroz, que caiu 2,02%.
No setor de Transportes, a queda de 0,13% foi impulsionada por uma significativa redução de 8,92% nas passagens aéreas e de 2,79% no transporte urbano. A queda no preço do ônibus urbano foi especialmente influenciada pela implementação da tarifa zero em Belo Horizonte aos domingos e feriados, onde a redução chegou a 18,26%. No entanto, os combustíveis apresentaram aumento de 1,25%, com o etanol subindo 3,59% e a gasolina 1,01%.
O grupo Habitação também registrou uma queda de 0,26%, com a energia elétrica residencial sendo o principal fator, com uma diminuição de 2,91%. Essa redução ocorreu em um momento em que a bandeira tarifária mudou de amarela, que cobrava uma taxa adicional, para a bandeira verde, que não tem custo extra para os consumidores. No entanto, em Porto Alegre, um reajuste tarifário de 21,95% em uma concessionária de energia a partir de novembro contribuiu para essa variação negativa na região.
Quanto à variação da inflação por região, Recife teve a maior alta em janeiro, com um aumento de 0,64%, influenciada principalmente pelos preços da gasolina e itens de higiene pessoal. Em contrapartida, São Paulo registrou a menor variação, com uma queda de 0,04%, reflexo das quedas nos preços do leite longa vida e da energia elétrica.