Banco Pleno e Credcesta buscam investidor no mercado financeiro
Nos últimos dias, cresceu a especulação sobre a busca do Banco Pleno, anteriormente conhecido como Banco Voiter, por um comprador. A instituição financeira é de propriedade de Augusto Lima, que está sob investigação no caso do Banco Master e foi ex-sócio de Daniel Vorcaro. Em nota, a assessoria de imprensa do banco esclareceu que a instituição está procurando um parceiro estratégico para fortalecer suas operações, mantendo o plano de negócios aprovado pelo Banco Central.
Fontes do setor de crédito consignado, que pediram para não serem identificadas, afirmaram que para tornar o Banco Pleno mais atraente para potenciais investidores, a ideia é fazer uma proposta que envolva um “negócio casado”. Isso significa que quem investir no banco também poderá atuar na operação do Credcesta, um cartão de benefício consignado. O investimento inicial necessário seria de pelo menos R$ 1 bilhão, e especialistas afirmam que o banco precisaria de mais R$ 2 bilhões para funcionar de forma mais estável. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) poderia ajudar com uma linha emergencial de crédito ou subsidiando o negócio.
Em julho do ano passado, o Banco Central autorizou a venda do Banco Pleno para Augusto Lima. No entanto, apenas quatro meses depois, Lima foi preso na Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes na venda de carteiras do Banco Master para o Banco Regional de Brasília. Após a prisão, ele foi solto e passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica.
Profissionais do setor de crédito consignado mencionaram que o Banco Pleno está sendo oferecido a vários investidores, incluindo a J&F, holding da família Batista, que é dona da JBS. Os irmãos Joesley e Wesley Batista demonstraram interesse em expandir suas operações no crédito consignado e contrataram Márcio Alaor, um especialista da área, para avaliar potenciais aquisições. O Credcesta, que tem presença em 24 estados e 176 municípios, é visto como uma vantagem estratégica nessa expansão. Por outro lado, o Banco Pleno enfrenta dificuldades de reputação no mercado.
De acordo com o Banco Central, o Pleno está proibido de emitir novos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) para se financiar. No mercado secundário, os títulos chegaram a ser negociados a 165% do CDI até o final de 2025. As últimas informações disponíveis mostram que, em junho de 2025, o Banco Pleno tinha um patrimônio líquido de R$ 672,6 milhões, mas um passivo de R$ 6,68 bilhões, sendo a maior parte dessa dívida relacionada a CDBs, que totalizavam R$ 5,4 bilhões. Sem a possibilidade de emitir novos CDBs, o pagamento das obrigações do banco se torna mais complicado.
Por sua vez, a J&F decidiu focar na oferta inicial de ações do PicPay antes de considerar novos investimentos. A assessoria de imprensa do grupo afirmou que não tem interesse em nenhum dos ativos mencionados.
Os desafios enfrentados pelo Banco Pleno não são novos, já que a instituição passou por dificuldades desde a época em que se chamava Indusval e tinha outros controladores. Originalmente voltado para o financiamento de empresas e do agronegócio, o banco passou por várias reestruturações devido a prejuízos. Em 2019, mudou seu nome para Voiter, com a intenção de se transformar digitalmente. No entanto, essa mudança não trouxe os resultados esperados, e em 2023, a Capital Consig tentou adquirir o Voiter, mas a negociação não avançou. Em fevereiro de 2024, o Banco Master assumiu a instituição, e em julho de 2025, o Banco Central aprovou a transferência do Voiter para Augusto Lima, que renomeou a instituição para Banco Pleno.
A assessoria de imprensa do Banco Pleno afirmou que a instituição está devidamente autorizada a operar pelo Banco Central e cumpre todos os requisitos do Conselho Monetário Nacional (CMN). A nota também destacou que a exposição do banco ao FGC está sendo reduzida e que a instituição não é alvo de investigações ou questionamentos de órgãos reguladores, atuando dentro da legislação vigente.