Ações de empresa brasileira caem na Nasdaq após relatório negativo

As ações da Patria Investimentos (PAX), listadas na Nasdaq, enfrentam uma queda de 9% nos últimos dias, após a divulgação de um relatório da consultoria londrina Snowcap. Este relatório critica o modelo de negócios da gestora, apontando que ele pode ser insustentável no médio prazo. A Snowcap é conhecida por operar como short-seller, o que significa que aposta na desvalorização das ações de empresas que considera problemáticas.

De acordo com a análise da Snowcap, a Patria estaria superavaliando ativos de seus principais fundos de private equity e infraestrutura, o que poderia inflar artificialmente o valor patrimonial e os retornos que a gestora apresenta aos investidores. A empresa administra aproximadamente US$ 50 bilhões em ativos, mas, segundo a Snowcap, estaria enfrentando dificuldades para gerar caixa e realizar desinvestimentos significativos.

Na segunda-feira (2), as ações da Patria apresentaram uma leve recuperação, subindo 1,30% e sendo cotadas a US$ 14,80. Essa alta ajudou a amenizar as perdas acumuladas nos dias anteriores, que ultrapassavam 10%. Na semana passada, a Patria se manifestou sobre o relatório, afirmando que está ciente das alegações e que fará uma análise cuidadosa. Porém, a gestora não se aprofundou nas questões, pois está em um período de silêncio antes da divulgação de seu balanço financeiro, prevista para terça-feira (3).

Um dos principais pontos levantados no relatório da Snowcap é a concentração de investimentos da Patria. A análise revela que mais de 50% do valor não realizado de alguns fundos estaria concentrado em um único ativo: a Elfa Medicamentos, uma distribuidora farmacêutica que está enfrentando sérias dificuldades financeiras. A Snowcap argumenta que a Patria avalia a Elfa a um múltiplo de cerca de 15 vezes o EV/EBITDA, enquanto empresas comparáveis no mercado estão avaliadas entre 4 e 6 vezes. Além disso, os títulos de dívida da Elfa estão sendo negociados a cerca de US$ 0,50, o que indica estresse financeiro.

O relatório também indica que a Patria tem feito injeções recorrentes de capital em empresas do seu portfólio através de estruturas fora do balanço, como veículos específicos e garantias em nível de fundo. Essa prática, segundo a Snowcap, aumenta o risco para os cotistas ao postergar o reconhecimento de perdas. Casos similares foram citados em outros ativos importantes, como Athena Saúde, Superfrio e Essentia Energia, todos avaliados com múltiplos significativamente acima dos padrões do mercado, apesar de apresentarem desempenho operacional fraco e necessidade de recapitalizações.

Outro ponto destacado é a baixa capacidade da Patria de realizar os investimentos. A Snowcap menciona que fundos lançados há mais de dez anos retornaram apenas uma fração do capital investido, o que está abaixo do padrão da indústria global de private equity. O relatório sugere que uma parte relevante das taxas de performance recentes pode ter origem em transferências de ativos entre os próprios fundos da Patria, levantando dúvidas sobre a sustentabilidade desses resultados. Além disso, a consultoria observa que a empresa pode enfrentar dificuldades para manter os dividendos sem realizar cortes ou diluições para os acionistas.

Em meio a esse cenário desafiador, a Patria anunciou a aquisição da Share, uma empresa de moradia estudantil, consolidando sua presença no setor por meio de fundos imobiliários. A Share era a principal concorrente da Patria no Brasil, mas passou por dificuldades financeiras. Entre os sócios da companhia estão a família Mitre, dona da incorporadora Mitre Realty, a Aguassanta, veículo de investimento da família Ometto, do grupo Cosan, e a Nova Milano, da família Grendene. O valor da operação não foi divulgado e foi realizada em parceria com a Grosvenor, sócia do grupo.

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