Ata do Copom indica ritmo de cortes nos juros
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil, começou fevereiro com um desempenho positivo, registrando uma alta de 0,79%, alcançando 182.793,40 pontos nesta segunda-feira, dia 2. Essa valorização foi impulsionada principalmente por ações de grandes empresas, embora a Petrobras tenha se destacado negativamente, com suas ações caindo 1,98% (ações ordinárias) e 1,38% (ações preferenciais). Essa queda da estatal está ligada à forte desvalorização dos contratos futuros do petróleo, que caíram cerca de 5%. A diminuição das tensões geopolíticas, especialmente entre os Estados Unidos e o Irã, e o avanço nas negociações entre Rússia e Ucrânia por um cessar-fogo também influenciaram o mercado. Além disso, a decisão da Opep+ de manter a produção de petróleo nos níveis atuais e a valorização do dólar em relação a outras moedas impactaram o preço da commodity.
Entre os destaques positivos do índice, as ações da Vale subiram 0,59%. O setor financeiro também teve um bom desempenho, com as units do Santander e do BTG Pactual avançando 1,38% e 1,95%, respectivamente. As ações da Direcional e da Cury se destacaram com altas significativas de 6,59% e 5,44%. Por outro lado, a Raízen liderou as perdas, apresentando uma forte queda de 8,74%.
No mercado de câmbio, o dólar encerrou o dia em leve alta de 0,22% em relação ao real, cotado a R$ 5,26. Essa valorização do dólar acompanhou um fortalecimento da moeda americana no cenário internacional. Apesar de algumas moedas latino-americanas se valorizarem, o real foi pressionado por um movimento de realização de lucros no mercado doméstico.
No cenário internacional, a política nos Estados Unidos se tornou um foco de atenção com a possibilidade de um novo shutdown do governo, o que resultou na suspensão da divulgação de alguns dados econômicos importantes, como o Relatório Jolts e o payroll. O ex-presidente Donald Trump comentou que está em conversações com líderes republicanos sobre um possível acordo de financiamento, acreditando que uma resolução está próxima.
No Brasil, o Banco Central divulgou a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada em janeiro, onde foi decidido manter a taxa Selic em 15% ao ano. A ata destacou a resiliência do mercado de trabalho, com taxas de desemprego em níveis baixos e crescimento dos rendimentos reais. No entanto, as expectativas de inflação continuam acima da meta, com previsões de 4% para 2026 e 3,8% para 2027. Apesar disso, o Banco Central indicou sinais de que a inflação pode estar desacelerando e que um ciclo de cortes na taxa de juros pode começar na próxima reunião, embora o cenário externo permaneça incerto.
No campo político, a Câmara dos Deputados voltou a trabalhar após o recesso e aprovou uma medida provisória que altera o Programa Gás do Povo, considerada uma prioridade pelo governo. A proposta, que recebeu 415 votos a favor e 29 contra, visa criar uma nova forma de entrega de botijões de gás, com retirada gratuita em revendas cadastradas, e pretende substituir gradualmente o auxílio-gás em dinheiro, que deve ser encerrado até 2027. Com essa mudança, o governo espera atender cerca de 15 milhões de famílias.
No mercado internacional, as bolsas da Europa operaram em alta, acompanhando a tendência otimista após os bons resultados das bolsas de Nova York e o acordo entre os Estados Unidos e a Índia. Na Ásia, os índices fecharam com fortes altas, especialmente no Japão e na Coreia do Sul, impulsionados por ações ligadas à inteligência artificial.
O petróleo apresentou leve alta após uma recente realização de lucros, enquanto o minério de ferro teve uma queda significativa na Bolsa de Dalian, na China. Os metais preciosos, como o ouro e a prata, voltaram a se valorizar após algumas quedas.
Os investidores estão atentos às falas de dirigentes do Federal Reserve nos Estados Unidos, buscando sinais sobre a política monetária. Além disso, uma nova iniciativa do governo americano para criar uma reserva estratégica de minerais críticos está em discussão, visando fortalecer cadeias produtivas essenciais.