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Cibersegurança avança para a era da gestão de riscos

Uma transformação significativa ocorre no campo da cibersegurança, que deixa de ser percebida apenas como uma área técnica dedicada à identificação de vulnerabilidades. O setor agora se desenvolve para se tornar uma disciplina que se concentra em riscos, no contexto empresarial e na tomada de decisões informadas. Essa mudança foi abordada durante o evento InfoSecurity Europe 2026, que aconteceu em Londres no mês de junho, onde especialistas compartilharam insights sobre essa nova era.

A transição do conceito de gerenciamento de vulnerabilidades para o gerenciamento de exposições representa uma das mudanças mais notáveis. As organizações estão focando não só na localização de vulnerabilidades, mas também no entendimento de quais delas constituem riscos reais que podem ser explorados por criminosos. Para isso, o modelo Continuous Threat Exposure Management (CTEM), promovido pelo Gartner, é essencial, pois fornece uma visão contínua das superfícies de ataque e aprimora a inteligência na priorização de ações corretivas.

Identidade Digital como Fronteira da Segurança

Um aspecto crescente de relevância é o fortalecimento da identidade digital, agora considerada uma das principais barreiras da segurança moderna. A governança de identidades, o gerenciamento de acessos privilegiados, a implementação da autenticação multifator e a proteção de ambientes corporativos se tornaram questões cruciais para organizações de diferentes portes. Diante do aumento das invasões que utilizam credenciais comprometidas e da crescente adoção de nuvens e aplicações SaaS, a proteção identitária emerge como um pilar fundamental na mitigação dos riscos cibernéticos.

A Inteligência Artificial, que antes era vista apenas como uma promessa, agora desempenha um papel vital na cibersegurança. Sua integração em soluções práticas se tornou evidente, sendo utilizada para automatizar respostas a incidentes, acelerar investigações e aprimorar a detecção de ameaças. Contudo, essa mesma tecnologia é explorada por criminosos, que a utilizam para potencializar suas campanhas maliciosas, como phishing e engenharia social, resultando em um cenário em que a tecnologia é tanto uma defesa quanto um vetor de ataque.

Tendências em Cibersegurança para o Futuro

A preservação de dados desponta como uma tendência emergente, com o foco do mercado mudando de proteger estritamente a infraestrutura para garantir a proteção efetiva das informações. Questões como Data Security Posture Management (DSPM), mitigação de riscos internos e governança de dados sensíveis estão se tornando cruciais. Em um mundo onde dados representam ativos valiosos, garantir sua integridade se transforma em uma prioridade estratégica.

Outro segmento em ascensão é o Browser Security, que se concentra na proteção dos ambientes de uso diário dos usuários. Embora ainda esteja em fase inicial, essa evolução reflete as adaptações do mercado em resposta ao trabalho híbrido e ao aumento do uso de aplicações web.

Com a escassez de profissionais qualificados e a crescente complexidade dos ambientes digitais, a automação se torna indispensável para a evolução da cibersegurança. As plataformas de automação estão proporcionando às equipes uma maior eficiência operacional, possibilitando respostas mais ágeis e ampliando as capacidades sem a necessidade de aumentar o número de funcionários.

O futuro do mercado está se direcionando para soluções que oferecem maior visibilidade, inteligência contextual e automação, com foco na priorização de riscos. Os investimentos e decisões nos próximos anos serão moldados por estratégias que envolvem Exposure Management, segurança da identidade, proteção de dados e uso responsável da IA.

Diferenças entre Europa e Brasil

Ao comparar a situação na Europa com a do Brasil, observa-se uma diferença marcante na maturidade das discussões sobre privacidade, governança e segurança na cadeia de suprimentos. Esse avanço é impulsionado por regulamentações como o GDPR, que incentivam uma abordagem de gestão de riscos mais abrangente. Embora o Brasil tenha feito progressos significativos com a LGPD, ainda existe espaço para aprofundar a atenção a questões além das proteções tecnológicas tradicionais.

Para as empresas brasileiras, a mensagem fundamental é que, mais do que investir em novas tecnologias, é essencial desenvolver uma abordagem integrada de risco cibernético que esteja alinhada aos objetivos de negócios e pronta para enfrentar um cenário dinâmico de ameaças cada vez mais complexas.

Novas tendências em cibersegurança continuarão a se manifestar, preparando o terreno para um ecossistema autônomo de confiança.