Desafios da comunicação do RI com investidores na Bolsa
As empresas que têm ações negociadas na Bolsa de Valores enfrentam diversos desafios, e um dos principais é a necessidade de uma comunicação eficaz entre elas e os investidores, especialmente aqueles com perfis variados. Esse tema foi discutido por Ainá Guimarães, analista sênior de Relações com Investidores da Iochpe-Maxion, durante sua apresentação no IR Summit 2026, evento realizado em São Paulo e que reuniu mais de 350 pessoas, entre representantes de companhias abertas, consultorias e instituições financeiras.
Uma das inovações apresentadas foi a solução Monitor Valores, que oferece às empresas um espaço digital para se comunicarem com investidores por meio de diferentes formatos, como podcasts, e-mails e redes sociais. O evento também contou com a participação de Cássio Rufino, COO da MZ, que abordou as mudanças estratégicas e tecnológicas que impactam a comunicação entre empresas e investidores.
A presença digital no setor de Relações com Investidores foi o tema do primeiro painel do evento, moderado por Fernando Martinez, sócio da CLA Brasil. Participaram desse painel especialistas de empresas como Odontoprev e Randoncorp. Os debatedores enfatizaram a importância dos sites de Relações com Investidores, que servem como o principal canal de comunicação entre as empresas e o mercado, permitindo que os investidores acessem informações relevantes, comunicados e demonstrações financeiras.
Ainá Guimarães destacou o desafio de estruturar as informações de forma que sejam compreensíveis para diferentes públicos, incluindo investidores institucionais e pessoas físicas. Ela ressaltou a necessidade de construir uma narrativa que permita aos investidores entenderem a estratégia da empresa em diferentes níveis de profundidade. Catarina Bruno, da Odontoprev, complementou que o acesso à informação deve ser rápido, mas também oferecer detalhes suficientes para atender tanto aqueles que buscam dados objetivos quanto os que desejam uma análise mais aprofundada.
A inteligência artificial (IA) também foi um tema discutido durante o evento. Os participantes concordaram que a tecnologia pode ser útil em atividades como leitura de documentos complexos, traduções e resumos de balanços financeiros. No entanto, Ainá alertou que, apesar dos benefícios de eficiência, o conteúdo gerado por IA deve sempre ser revisado para evitar erros de interpretação. Davi Coin, da Randoncorp, observou que o uso excessivo da tecnologia pode prejudicar o relacionamento com os investidores, enfatizando a importância do contato humano nesse campo. Catarina também mencionou que imprecisões nas informações geradas por ferramentas de IA podem indicar falhas na comunicação das empresas, reforçando a necessidade de fornecer dados claros e bem organizados.
O terceiro painel do evento tratou do Corporate Access, que se refere à aproximação entre empresas e investidores por meio de reuniões e eventos. Moderado por Alex André, head de Corporate Access da MZ, o painel contou com a participação de executivos de empresas como Valid e Banco da Amazônia. Os debatedores destacaram que o contato direto com investidores pode ter um impacto significativo na percepção do mercado sobre as companhias, especialmente em tempos de incerteza. Natalia Vasconcellos, da HBR, destacou que uma comunicação ativa pode ajudar a reduzir mal-entendidos e a reposicionar as ações no mercado após períodos de dificuldades.
O evento IR Summit 2026 se mostrou uma plataforma importante para discutir a evolução das Relações com Investidores e como as empresas podem se adaptar às novas demandas do mercado e do público investidor.