Desemprego atinge menor nível histórico ao fim de 2025

A taxa de desemprego no Brasil atingiu 5,1% no trimestre encerrado em dezembro de 2025, o menor índice desde o início da coleta de dados em 2012, conforme mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este resultado é uma leve queda em relação ao trimestre anterior, que registrou 5,2%, e também representa uma diminuição em relação ao mesmo período do ano passado, quando o desemprego estava em 6,2%.

O economista Maykon Douglas aponta que a média de 5,6% ao longo de 2025 indica um mercado de trabalho robusto. Contudo, ele observa que as duas últimas pesquisas mostraram uma tendência de crescimento, contrariando a queda do desemprego observada em setembro e outubro, que ocorreu devido à diminuição da taxa de participação da população no mercado de trabalho. No final do ano, a ocupação aumentou, especialmente no setor formal, o que é considerado um sinal positivo.

A coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, explica que a diminuição da taxa de desemprego foi impulsionada pelo aumento do número de pessoas empregadas, especialmente no setor de serviços. Ela enfatiza que essa queda não foi resultado de um aumento no número de pessoas que desistiram de procurar emprego ou que estão subutilizadas, o que alivia a pressão sobre o mercado de trabalho. A queda no desemprego em 2025 foi sustentada pela criação de novas vagas, principalmente nas atividades de serviços.

Atualmente, a população desocupada é estimada em 5,5 milhões de pessoas, o menor número desde o início da série histórica. Este número representa uma diminuição de 9% em relação ao trimestre anterior, ou seja, 542 mil pessoas a menos, e uma redução de 17,7% em comparação ao ano passado, que corresponde a cerca de 1,2 milhão de pessoas a menos.

Por outro lado, a população ocupada atingiu 103 milhões de pessoas, um recorde histórico. Esse número cresceu 0,6% em relação ao trimestre anterior, com um aumento de 565 mil pessoas, e avançou 1,1% no ano, com 1,2 milhão de pessoas a mais. A taxa de ocupação, que mede a proporção de pessoas empregadas em relação à população em idade para trabalhar, chegou a 58,9%, o maior índice já registrado, com um aumento de 0,2 ponto percentual no trimestre e estabilidade em relação ao ano anterior.

A taxa de subutilização da força de trabalho, que inclui pessoas que estão desempregadas ou trabalhando menos do que gostariam, foi de 13,4%, também a mais baixa desde que os dados começaram a ser coletados. Essa taxa caiu 0,5 ponto percentual em relação ao trimestre anterior e 1,8 ponto percentual em comparação ao mesmo período de 2024. A população subutilizada é estimada em 15,3 milhões de pessoas, um nível semelhante ao de dezembro de 2014, com uma queda de 3,3% no trimestre e de 12,3% no ano. Já a população subocupada, que trabalha menos horas do que gostaria, é de 4,5 milhões de pessoas, sem variação no trimestre, mas com uma queda de 7,1% em relação ao ano passado.

A taxa de informalidade, que mede a proporção de trabalhadores sem registro em carteira, ficou em 37,6%, correspondendo a aproximadamente 38,7 milhões de trabalhadores. Esse percentual é similar ao registrado no trimestre anterior e inferior ao do mesmo período de 2024. A população desalentada, ou seja, aqueles que desistiram de procurar trabalho, foi estimada em 2,6 milhões de pessoas, um número estável em relação ao trimestre, mas com uma redução de 11,5% no ano.

O emprego formal também alcançou números recordes, com 53 milhões de pessoas empregadas no setor privado, uma alta de 1,1% em relação ao ano anterior. Dentro desse total, 39,4 milhões de trabalhadores têm carteira assinada, também um recorde, com estabilidade no trimestre e um crescimento de 2,4% no ano. Em contrapartida, o número de empregados sem carteira assinada caiu 2,6% em comparação ao ano passado.

O rendimento médio mensal de todos os trabalhos foi estimado em R$ 3.613, um valor histórico, com um aumento de 2,4% no trimestre e de 5% no ano. A massa de rendimento totalizou R$ 367,6 bilhões, com um crescimento de 3,1% no trimestre e de 6,4% no ano.

No que diz respeito aos setores de atividade, o grupo de Comércio e reparação de veículos e a Administração pública, defesa, educação, saúde e serviços sociais apresentaram aumento no número de ocupados em relação ao trimestre. Em comparação ao mesmo período do ano anterior, os setores de Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias e profissionais também mostraram avanços. No entanto, houve uma redução no número de ocupados em serviços domésticos.

Maykon Douglas conclui que, apesar dos dados positivos, as informações da PNAD sugerem que o Banco Central pode manter uma postura cautelosa em relação à geração de empregos e seu impacto na inflação, especialmente em serviços que demandam muita mão de obra.

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