Europa sugere redução de toxina em produtos da Nestlé
A União Europeia anunciou nesta segunda-feira, dia 2, a intenção de reduzir em mais da metade o limite permitido de uma toxina chamada cereulida em fórmulas infantis. Essa substância é produzida pela bactéria Bacillus cereus e está relacionada a casos de contaminação que levaram a um recall global desses produtos, o que pode resultar em novas retiradas de fórmulas do mercado.
A cereulida é uma toxina que pode provocar náuseas e vômitos, e sua presença foi identificada em ingredientes provenientes de uma fábrica na China que fornece para grandes empresas do setor de alimentos, como Nestlé, Danone e Lactalis. A descoberta da contaminação gerou preocupações entre os pais e resultou em recalls de fórmulas infantis em diversos países.
Diante da situação, a Comissão Europeia solicitou à Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) que estabelecesse rapidamente um novo limite seguro para a ingestão da toxina, ajudando assim governos e fabricantes a decidirem quando as fórmulas infantis devem ser retiradas do mercado.
Após uma análise, a EFSA sugeriu um novo limite de 0,014 microgramas de cereulida por quilograma de peso corporal para bebês. Essa recomendação considera que bebês, especialmente os muito pequenos, metabolizam substâncias de forma diferente e, por isso, necessitam de uma proteção adicional. O vômito foi identificado como o principal sintoma de curto prazo utilizado para definir esse limite.
Além disso, a EFSA avaliou a quantidade de fórmula que os bebês costumam consumir em um período de 24 horas. Com base nisso, os especialistas calcularam que concentrações de cereulida acima de 0,054 microgramas por litro em fórmulas infantis e 0,1 microgramas por litro em fórmulas de seguimento poderiam representar um risco à saúde.
Em outro desdobramento, investigadores franceses estão analisando se há alguma relação entre a morte de dois bebês e as fórmulas infantis que foram recolhidas do mercado. O ministério da saúde francês informou que, até o momento, não existem evidências que comprovem essa ligação, e os resultados das investigações devem ser divulgados nos próximos dias.