Fed mantém taxa de juros mesmo sob pressão de Trump
Nesta quarta-feira, 28 de março, o Federal Reserve, que é o banco central dos Estados Unidos, anunciou que a taxa de juros permanecerá entre 3,5% e 3,75%. Essa decisão era esperada pelo mercado financeiro, mesmo diante da pressão do ex-presidente Donald Trump por cortes mais significativos nas taxas de juros e suas críticas ao presidente do Fed, Jerome Powell.
A decisão de manter a taxa interrompe uma sequência de três cortes consecutivos, que reduziram os juros ao menor nível em três anos. Na nova declaração, o banco não deu indícios de que novas reduções estão a caminho. A votação sobre a manutenção da taxa teve o apoio de dez diretores, enquanto dois se posicionaram a favor de um corte de 0,25 ponto percentual: Stephen Miran, indicado por Trump, e Christopher Waller, considerado um forte candidato a suceder Powell na presidência do Fed.
O comunicado do Fed afirmou que “a atividade econômica tem se expandido em um ritmo sólido”. Além disso, a declaração destacou que a continuidade dos ajustes na taxa dependerá de novos dados econômicos. O banco central reconheceu que a inflação ainda está alta e que o mercado de trabalho apresentou alguns sinais de estabilização, apesar de os ganhos de emprego terem permanecido baixos.
Dados recentes mostraram que a taxa de desemprego nos Estados Unidos caiu para 4,4% em dezembro, mesmo com um crescimento mais fraco no emprego. Economistas também preveem que o índice de preços PCE, que exclui alimentos e energia, deve aumentar para 3% na comparação anual, superando a meta de 2% estabelecida pelo Fed.
Embora a economia dos EUA continue mostrando força, com gastos do consumidor robustos e uma política fiscal que deve impulsionar o crescimento nos primeiros meses do ano, analistas indicam que não há pressa para reduzir os juros de forma agressiva. Por exemplo, Seema Shah, estrategista da Principal Asset Management, mencionou que a força da economia sugere uma pausa nos cortes.
Os mercados futuros sugerem que podem ocorrer duas reduções de juros ainda este ano, mas a decisão atual é vista como o início de uma pausa que pode se estender além das próximas reuniões de Jerome Powell, programadas para março e abril. Durante a última reunião, houve divergências entre os membros do Fed: sete deles acreditam que não serão necessários mais cortes por pelo menos um ano, enquanto quatro consideram que um corte pode ser necessário, e oito defendem uma redução de pelo menos 0,5 ponto percentual para 2026.
A pressão de Trump sobre o Fed é evidente, uma vez que ele já pediu cortes mais profundos e imediatos. No entanto, a variedade de opiniões dentro do banco central mostra os desafios que o próximo presidente enfrentará ao tentar implementar mudanças mais drásticas. Trump deve nomear um novo líder para o Fed em breve, já que o mandato de Powell termina em maio. O mercado se preocupa com a possibilidade de que o próximo presidente do Fed priorize as demandas políticas em vez de decisões baseadas em dados econômicos.
Apesar das incertezas no final do ano passado sobre o mercado de trabalho, a economia americana se mantém resiliente. O economista-chefe do JPMorgan, Michael Feroli, acredita que o comunicado do Fed e os comentários de Powell em sua coletiva de imprensa, que acontecerá às 16h30 (horário de Brasília), não devem se comprometer com a frequência ou a extensão de novos cortes nas taxas de juros.