IA poderá transformar e-commerce e impactar marketplaces, afirma BTG

O uso crescente de agentes de inteligência artificial (IA) no comércio eletrônico pode mudar a forma como as compras online são feitas e afetar os grandes marketplaces. Essa análise foi feita pelo BTG Pactual, que divulgou um relatório sobre o tema. Esses agentes de IA são capazes de conduzir toda a jornada de compra, diminuindo a necessidade de os consumidores navegarem por diversas opções em plataformas digitais. Essa mudança pode impactar diretamente o tráfego, o engajamento e as receitas geradas por anúncios online, que atualmente são uma importante fonte de lucro para o setor.

De acordo com Luiz Guanais, analista do BTG, o comércio eletrônico está passando por uma transformação, saindo de um modelo baseado na navegação do usuário para um sistema mais automatizado em que decisões de compra são tomadas por algoritmos. Com essa evolução tecnológica, é possível que toda a experiência de compra seja reduzida a um único resultado gerado por essas ferramentas. Nesse novo cenário, as plataformas de e-commerce perderiam o controle sobre a descoberta de produtos e teriam que competir para serem escolhidas pelos algoritmos que decidem as compras.

Essa mudança também pode alterar a maneira como os consumidores escolhem produtos, que podem passar a priorizar fatores como o preço final e o prazo de entrega, em vez de explorar uma variedade de opções em vitrines digitais.

O Brasil é um dos países mais suscetíveis a essa transformação, segundo o relatório. O mercado brasileiro possui características que favorecem a adoção de decisões automatizadas, como o alto uso de smartphones e uma forte preocupação com preços. O BTG Pactual destaca que quase 50% dos consumidores brasileiros estariam dispostos a trocar de plataforma após uma experiência de entrega insatisfatória. Isso torna aspectos objetivos, como o custo total da compra e a eficiência na entrega, ainda mais importantes.

Dentro desse cenário, o Mercado Livre é visto como uma empresa que enfrenta tanto riscos quanto oportunidades. Embora a redução da relevância da publicidade digital possa afetá-la, a companhia possui um ecossistema integrado que inclui logística, meios de pagamento e crédito, que pode se tornar mais importante em um ambiente dominado por agentes automatizados. Guanais ressalta que, com essa estrutura, a capacidade de execução se torna mais relevante do que a afinidade com a marca.

O BTG projeta dois caminhos possíveis para o futuro do comércio eletrônico. No primeiro, os agentes de IA poderiam direcionar os consumidores para a opção de compra mais barata, fazendo com que os marketplaces se tornassem plataformas operacionais com margens de lucro menores. No segundo cenário, as empresas poderiam se integrar aos ecossistemas de agentes, atuando como infraestrutura para as transações e monetizando serviços, pagamentos e garantias.

A performance das empresas nesse novo modelo dependerá da habilidade de se adaptarem tecnologicamente e estrategicamente. Aqueles que conseguirem integrar logística, meios de pagamento e ofertas de crédito têm mais chances de se manter relevantes, mesmo com a crescente atuação da inteligência artificial no processo de compras.

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