PF apura possível ocultação de participação da Vorcaro no BRB
A Polícia Federal está investigando uma rede de movimentações financeiras relacionadas à compra de ações do Banco de Brasília (BRB) pelo empresário Daniel Vorcaro, dono do Master. As investigações indicam que a aquisição dessas ações pode estar conectada a um esquema de compra fraudulenta de carteiras de crédito consignado que envolve bilhões de reais.
De acordo com os dados coletados, a compra das ações do BRB foi realizada por Vorcaro, seu ex-sócio Maurício Quadrado e João Carlos Mansur, fundador e ex-presidente do conselho da gestora Reag Investimentos. A suspeita é que eles tenham adquirido as ações como pessoas físicas, burlando as regras de transparência que exigem a identificação clara dos acionistas. A operação teria sido disfarçada por meio de uma série de fundos de investimento, que ocultaram a verdadeira identidade dos compradores.
As investigações revelam que houve simulação nos contratos de subscrição de ações em dois aumentos de capital do BRB, ocorridos em 2024. Nesses aumentos, o fundo Borneo, administrado pela Reag, comprou 44% das ações do banco, enquanto o fundo Deneb, ligado ao Master, adquiriu uma fatia adicional em dezembro. Essas movimentações financeiras foram homologadas pelo Banco Central, que também é parte da investigação.
A auditoria independente realizada por escritórios de advocacia contratados pelo BRB encontrou sobreposições de nomes e fundos que participaram da compra de ações do banco e que estão envolvidos em um esquema de fraude que soma R$ 12,2 bilhões. O novo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, entregou os resultados dessa auditoria à Polícia Federal, que baseou a abertura do inquérito nas informações apresentadas.
Além disso, o BRB está buscando recuperar ativos para compensar eventuais perdas decorrentes das compras fraudulentas. O banco estatal não descarta a possibilidade de solicitar o arresto de ações que estão sob a posse dos fundos relacionados a Vorcaro. Atualmente, Mansur é um dos principais acionistas do BRB, possuindo 4,5% do capital, e é alvo de outras investigações sobre crimes financeiros.
A defesa de Vorcaro afirmou que a participação do Master no BRB foi feita de forma regular, conforme as regras do mercado, e que ele está colaborando com as autoridades. Já a assessoria de Quadrado explicou que sua participação se deu através da compra de recibos de subscrição de ações, que não geraram novos recursos para o BRB. A defesa de Mansur não respondeu até o momento.
Por fim, o BRB informou que encontrou informações relevantes na investigação e comunicou os detalhes às autoridades competentes, além de atualizar a composição acionária do banco junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A auditoria também revelou que o BRB tem participação em fundos de investimento que estão ligados ao esquema de fraudes do Master, levantando questões sobre a relação entre a instituição e o grupo de Vorcaro.