Política e “super quarta” movimentam mercados em 5 minutos

A primeira “super quarta” do ano atraiu a atenção dos investidores para as decisões sobre política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. Tanto o Banco Central do Brasil quanto o Federal Reserve (Fed) dos EUA decidiram manter as taxas de juros, uma escolha que era esperada pelo mercado. Com as decisões já absorvidas, o foco se voltou para os comunicados que seguiram essas decisões, buscando pistas sobre os próximos passos das instituições financeiras.

Nos Estados Unidos, as declarações do Fed indicaram que não há espaço para novos cortes de juros no primeiro semestre de 2025. Isso se deve à solidez da economia americana, que ainda enfrenta uma inflação acima da meta estabelecida. Em contraste, no Brasil, o mercado financeiro passou a considerar quase certo que o ciclo de redução da taxa Selic começará em março, impulsionado pela desaceleração da inflação e sinais de uma diminuição na pressão no mercado de trabalho.

Em relação ao ambiente político brasileiro, o cenário eleitoral continua incerto. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, confirmou que buscará reeleição, o que pode abrir espaço para uma candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência. O PSD, um partido do centro político, anunciou três pré-candidaturas: Eduardo Leite, Ronaldo Caiado e Ratinho Jr. Essa estratégia sugere uma tentativa de criar uma alternativa à polarização política atual. Recentes pesquisas de opinião mostram um aumento nas intenções de voto para Flávio Bolsonaro, que está tecnicamente empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em simulações de segundo turno. Além disso, investigações relacionadas ao Banco Master estão gerando discussões que podem impactar o clima político em Brasília.

No campo econômico, os dados mais recentes indicam um déficit em transações correntes de US$ 68,8 bilhões em 2025, representando 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, o maior nível em 11 anos. Esse resultado reflete a diminuição do superávit comercial, o aumento das remessas de lucros para o exterior e os gastos de brasileiros fora do país. Por outro lado, o Investimento Direto no País (IDP) teve uma entrada líquida de US$ 77,7 bilhões, que inclui investimentos de longo prazo, como a abertura de fábricas e a expansão de operações. Esse montante foi suficiente para cobrir o déficit externo.

Além disso, a dívida bruta do governo ultrapassou R$ 10 trilhões em 2025, e a relação dívida/PIB subiu para 78,7%, em comparação com 76,3% no ano anterior, chamando a atenção do mercado para a situação fiscal do país. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), que mede a inflação, apresentou um aumento de 0,20% em janeiro, abaixo das expectativas, e acumulou uma inflação de 4,50% em 12 meses. No setor de trabalho, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) registrou o fechamento de 618 mil vagas formais em dezembro, um número superior ao esperado, e em 2025, foram criadas 1,28 milhão de vagas, uma queda de 31% em relação a 2024. O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 15%, mas indicou que o ciclo de cortes pode começar em março, com uma possível redução de 0,25 ponto percentual. As previsões apontam para uma Selic em 12,25% até o final do ano.

Nos Estados Unidos, o índice de confiança do consumidor caiu de 94,2 para 84,5 pontos em janeiro, o menor nível em 12 anos. Como o consumo das famílias é um componente crucial do PIB americano, essa queda pode impactar o crescimento econômico. A diminuição da confiança acontece em um ano de eleições legislativas, o que mantém o tema em destaque nas discussões políticas e econômicas. Investidores globais estão reduzindo sua exposição ao dólar, o que é conhecido como “debasement trade”. O preço do ouro subiu, sendo negociado próximo de US$ 5.600 a onça, enquanto os prêmios elevados em opções de venda do dólar indicam um aumento na demanda por proteção contra desvalorização da moeda americana. O governo dos EUA sugere que um dólar mais fraco pode beneficiar a indústria local a longo prazo.

Em uma mudança significativa, foi anunciado um novo presidente do Fed. Após manter as taxas de juros entre 3,5% e 3,75%, Jerome Powell destacou a resiliência da economia e a inflação que ainda está acima da meta. Kevin Warsh foi escolhido como novo presidente do Fed, com posse agendada para maio. Warsh é favorável a juros mais baixos, com base na expectativa de que a tecnologia e a inteligência artificial possam impulsionar a produtividade.

Por fim, a valorização do ouro tem sido impulsionada por investidores institucionais, pessoas físicas e bancos centrais que estão diminuindo suas reservas em dólar. Os investidores chineses têm se destacado nesse movimento, utilizando contratos lastreados em ouro como meio de troca em Xangai, o que reduz a dependência do dólar e do sistema de pagamentos internacionais SWIFT.

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