PT planeja convocar Campos Neto na CPMI do INSS

O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, será convocado a prestar esclarecimentos na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O pedido de convocação será feito pelo deputado Rogério Correia, do PT de Minas Gerais, assim que o recesso parlamentar terminar nesta semana.

O deputado argumenta que, em outubro de 2021, durante a gestão de Campos Neto, o Banco Central recebeu notificações do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) sobre um aumento significativo de reclamações relacionadas a práticas abusivas nos empréstimos consignados, que afetam aposentados do INSS. Correia quer saber como o Banco Central lidou com o acesso a informações bancárias protegidas dos beneficiários e quais medidas foram tomadas para fiscalizar e controlar as irregularidades denunciadas por essas instituições financeiras.

Essa convocação acontece em um momento de crescente pressão sobre Campos Neto, especialmente porque o Tribunal de Contas da União (TCU) está analisando documentos que embasaram a decisão do Banco Central de liquidação do Banco Master. O TCU pretende investigar a supervisão do Banco Central sobre o Master antes de 2024, buscando entender como era feita a fiscalização e se houve alertas sobre a situação do banco.

O deputado Rogério Correia ressaltou que o escândalo envolvendo o Banco Master está relacionado à gestão de recursos de fundos de pensão. Segundo o Ministério da Previdência, os regimes de previdência de estados e municípios investiram quase R$ 2 bilhões no banco. Correia destacou que as ações e os alertas feitos por Campos Neto em relação a investimentos considerados insustentáveis pelo Banco Master podem ter contribuído para problemas que afetam os aposentados e pensionistas do INSS.

Diante disso, o deputado afirma que é essencial aprofundar as investigações para identificar possíveis omissões, falhas de supervisão ou insuficiência nas medidas corretivas adotadas pelo Banco Central.

Roberto Campos Neto assumiu a presidência do Banco Central em 2019, indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro, e permaneceu no cargo até 2024, passando pela primeira parte do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Durante esse período, ele e Lula tiveram divergências sobre a taxa básica de juros. Os aliados de Campos Neto argumentam que, sob a gestão do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, indicado por Lula, a taxa de juros chegou a 15%.

Botão Voltar ao topo