Queda do rebanho nos EUA afeta a pecuária global
Os números mais recentes sobre o rebanho bovino dos Estados Unidos, divulgados pelo Departamento de Agricultura do país, revelam uma situação preocupante para o mercado global de carne. No início de 2023, os EUA contavam com 86,2 milhões de cabeças de gado, o que representa o menor número desde a década de 1950. Para se ter uma ideia, na década de 1970, esse número chegou a atingir 132 milhões de animais.
No cenário global, o rebanho bovino também está diminuindo. A estimativa é que o total de bovinos no mundo fique em 903 milhões este ano, o que representa uma queda de 127 milhões em comparação a 2014, quando o número era de 1,03 bilhão de animais. Essa redução não é exclusiva dos Estados Unidos; países como Brasil, China e na União Europeia também estão enfrentando desafios semelhantes, enquanto a Índia se mantém estável como um dos principais produtores.
Apesar das estimativas do Departamento de Agricultura, alguns segmentos do mercado brasileiro não acreditam que a redução do rebanho será sentida no Brasil. Desde 2019, o consumo de carne bovina mundial começou a aumentar, especialmente após a forte queda na oferta de carne suína na China, resultado da peste suína africana. Entre 2021 e 2025, o consumo global de carne bovina cresceu 21,5%, alcançando 60,2 milhões de toneladas no ano passado e elevando os preços a níveis recordes.
Os Estados Unidos, até então um importante fornecedor no mercado internacional, estão passando por uma mudança significativa. Com a queda do rebanho, o país agora deve importar mais carne do que exportar. A previsão é que, em 2023, os americanos comprem 2,47 milhões de toneladas de carne bovina e exportem apenas 1,13 milhão. Além disso, o consumo interno está aumentando, com uma expectativa de 13,1 milhões de toneladas este ano. A produção americana caiu para 11,7 milhões de toneladas em 2022, uma redução de 9% em relação ao ano anterior, impactando os preços tanto no mercado interno quanto no externo. Em dezembro passado, o preço da carne bovina nos EUA subiu 19% em relação ao final de 2024.
A situação é ainda mais complexa quando se observa a comparação com o Brasil, que possui um rebanho de cerca de 86 milhões de vacas, o que equivale ao total de gado dos Estados Unidos. No total, o Brasil pode ter entre 170 milhões a 240 milhões de bovinos, dependendo da fonte consultada.
Vários fatores contribuem para a queda do rebanho nos Estados Unidos, incluindo subsídios significativos à produção de grãos, que resultaram na conversão de áreas de pastagem. Além disso, a pecuária americana enfrenta dificuldades devido a efeitos climáticos, embora o governo dos Estados Unidos não reconheça essa influência. Os custos de produção aumentaram, mesmo com a recuperação da produção de grãos, e o nascimento de bezerros caiu para o menor nível em quase 80 anos, dificultando a recuperação do setor.
Nesse cenário de oferta mundial reduzida, a China, que é a maior importadora de carne, busca controlar sua demanda externa, estabelecendo cotas para os principais fornecedores e explorando mercados com menor potencial. Em contrapartida, o Brasil se destaca como líder na produção e exportação de carne bovina, posicionando-se de maneira favorável no mercado internacional.