Setor de serviços no Brasil desacelera em janeiro, aponta S&P Global
O setor de serviços no Brasil apresentou uma desaceleração no início de 2026. O índice de gerentes de compras (PMI) desse setor caiu de 53,7 pontos em dezembro para 51,3 pontos em janeiro. Um índice acima de 50 pontos indica crescimento, mas a queda mensal aponta para um ritmo de expansão mais lento.
Segundo Pollyana de Lima, diretora associada de Economia da S&P Global, essa desaceleração é reflexo da diminuição da demanda por serviços. Muitas empresas começaram a conter o aumento das atividades, rebaixar suas previsões de crescimento e até reduzir contratações.
A lentidão no setor de serviços já está impactando o mercado de trabalho. A redução no número de vagas pode gerar consequências mais amplas na economia. Lima destaca que a perda de postos de trabalho significa que as famílias terão menos dinheiro para gastar, o que pode levar a uma desaceleração que afete outros setores da economia.
Além disso, a pesquisa aponta que os empresários estão mais cautelosos em relação ao futuro. Os prestadores de serviços demonstraram preocupação com incertezas relacionadas a políticas públicas, o cenário eleitoral e tensões geopolíticas internacionais.
Por outro lado, um aspecto positivo observado foi a desaceleração da inflação no setor de serviços. Em janeiro, os custos aumentaram no ritmo mais lento em 20 meses, o que pode abrir espaço para possíveis cortes de juros nos próximos meses. Isso sugere uma diminuição nas pressões inflacionárias nesse setor.
O panorama geral ficou ainda mais claro com a análise do PMI Composto, que abrange tanto os setores de serviços quanto de indústria. Esse índice caiu de 52,1 pontos em dezembro para 49,9 pontos em janeiro, marcando um retorno a um nível que indica estagnação da atividade. A combinação da desaceleração nos serviços com uma retração mais acentuada na indústria revela fragilidades no setor privado.
Os novos pedidos caíram, a atividade estagnou e o emprego diminuiu pela primeira vez em três meses. Esses sinais levantam preocupações sobre a saúde econômica do país, indicando que o início de 2026 pode ser mais cauteloso para a economia brasileira, com um crescimento menos espalhado entre os setores e maior sensibilidade às condições econômicas gerais.